A história da humanidade é feita de rupturas e da necessidade de tecer alianças desde os tempos remotos. Com efeito, percebe-se na própria bíblia que toda a caminhada do povo de Deus é marcada pelo rompimento da Aliança entre as tribos de Israel e Javé. Tal ruptura se manifesta nos dias de hoje pelo desrespeito para com a natureza, o meio ambiente e todos os ecossistemas, bem como para com o Criador.
Sem embargo, há ruptura necessária, tendo em vista a necessidade de abertura a novos horizontes num mundo em conflitos e em busca da liberdade. Os acontecimentos no Oriente Médio e na Líbia e demais Estados já libertados das temidas ditaduras têm revelado ao mundo que nada poderá mais apagar a chama da liberdade que faz cair as colunas de bronze da legitimidade dos impérios do petróleo no meio de uma juventude pobre e sem esperança de dias melhores, revoltada pelas injustiças sociais e pelos privilégios de uma classe de intocáveis e insensíveis ao clamor dos oprimidos.
Tal revolta contra a “oligarquia real e religiosa” tornou–se possível graça ao poder da tecnologia, sobretudo dos novos meios de comunicação, tais como o facebook, o twitter e o celular. A flagrante violência dos súditos é compreensível diante da cumplicidade e do silêncio das grandes potências em condenar as políticas discriminatórias dos monarcas e presidentes ditadores. A guerra do petróleo sempre foi o pulmão da economia mundial e da industrialização do ocidente. Por essa razão, as violações sistemáticas dos direitos humanos eram desconsideradas ou ignoradas em nome dos interesses financeiros. A aceitação da Líbia no concerto das nações havia sido condicionada pela indenização das famílias das vítimas de Lockerbie e da entrada de investimentos estrangeiros naquele país.
A dinâmica própria da “revolução” revela que durante anos tanto os aliados ocidentais como os regimes ameaçados pelas manifestações desprezaram as questões morais ou éticas vinculadas às necessidades básicas de um cidadão.
O ser humano rejeitado, marginalizado e excluído da partilha das riquezas geradas pelo petróleo está no centro das reivindicações sociais. A humanidade evolui para uma globalização efetiva na busca de unidade em torno do objeto perseguido: o fim dos privilégios dos reis, príncipes e presidentes ditadores.
Os apelos das multidões lesadas há décadas trazem em seu bojo “a incompletude e a impressão do estar a caminho.” Efetivamente, as revoltas vividas não têm mais a aspereza de meras reclamações de drogados ou terroristas, mas retratam as aspirações mais profundas das populações a caminho da liberdade e de “novos céus e novas terras” onde não haverá mais abismos entre famílias reais extremamente ricas e os súditos definitivamente pobres. É hora de acabar com a demência humana para abraçar a era da sapiência universal.
Sebastien Kiwonghi é advogado e professor de Direito Internacional e Metodologia da Pesquisa na Escola Superior Dom Helder Câmara. Padre Verbita graduado em Filosofia pelo Institut de Philosophie Saint Augustin, IPSA, Zaire (África). Graduado em Teologia pelo Institut de Théologie Eugène de Mazenod, ITEM, Zaire (África). Graduado em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais Vianna Júnior de Juiz de Fora (MG). Especialista em Direito Civil e Processo Civil, em Direito do Trabalho e Previdenciário. Mestre e doutorando em Direito Internacional pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
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